Há muitos anos Breno deixou de acreditar em Deus. As injustiças, as fatalidades e os abismos sociais foram os motivos, alegava ele. Mas o mundo da voltas e hoje, sua fé está, novamente, sendo testada. Era a primeira vez que visitava o bairro mais pobre da cidade. Todas as ruas eram de terra batida. Ironicamente tinham nome de flores. Quanto mais avançava adentro, mais barracos de madeira surgiam. Algumas crianças brincavam descalças. Algumas mães estendiam roupas em varais de fio. E alguns homens o observavam. Ao chegar ao pé de uma rua íngreme, teve a subida interrompida por um homem de feições nada amigáveis. – Dê meia volta, disse ele. – A partir deste ponto precisa ter autorização para subir. – Sou Breno, irmão de Nelson. Vim buscá-lo. – Ouvi falar de você. O ex-padre veio buscar o maninho. Pode passar, sem batina. A tensão começou a tomar conta de Breno novamente. Não gostava de encarar seu passado. Deus estaria pregando uma peça nele? Engatou a primeira marcha e avan...