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1. Sob a copa das árvores

O caminho era úmido e sombrio. As árvores centenárias haviam crescido tão juntas que andar sob elas era o mesmo que atravessar um túnel. Os pés doíam. A mochila pesava às costas e a fome aumentava a cada passo. Mas era preciso prosseguir. Em breve encontraria um pouso seguro e quente.  As corujas começavam a despertar, era o indício de que a noite se aproximava. O túnel de árvores parecia não ter fim. Já perdera a noção de quanto tempo caminhara por ele. Apenas seguia. Quando a noite caiu de vez, um sentimento de temor invadiu seu espírito. Ficar ali seria a morte. Então juntou as últimas forças e apressou o passo.  Alguns quilômetros adiante, quando o peso do corpo era quase insuportável e a fome doía em seu estômago, um brilho prateado iluminou tudo a sua frente. Deve ser a saída, pensou, é a lua cheia a brilhar além de montes de árvores.  Mas ao chegar mais perto descobriu que não era a lua, tampouco o fim do caminho, ou seria?

Pelo menos…

"Mas é que se agora Pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto Todo mundo tem que reclamar Eu vou tirar meu pé da estrada E vou entrar também nessa jogada E vamos ver agora que é que vai aguentar" Raul Seixas Ah…seu Seixas… se eu me queixo… é porque tenho dúvidas temo dúvidas, e tenho medo de dar calafrio. E entre bater queixo, prefiro a queixar-me assim, pelo menos me esquento…

Tecnologia com poesia

Há quem não veja beleza no grafite ou o potencial de uma tela em branco, de um monte de argila, ou de uma sala vazia… Não na mente de quem cria para este, tudo é virtual,  tudo tem vida No grafite, segredos de um grande projeto do futuro dos traços,  do que já existe, e do que há de ser Na tela em branco,  o coração humilde e puro  de quem tudo aceita  de peito aberto e imaginação solta, As tramas da inspiração pintam o estilo nos quatro cantos da sala  que ao receberem luz, recebem alma que ao serem ocupados, recebem vida Com palavras, com cores, com formas e sem conformidade, mas com tecnologia o que vale é criar é o brincar de transformar é dar nome à própria cria E mais que inovação este ofício, é tendência, é dedicação,  é suor… é poesia ___________________ Escrevi esse texto em 2008 para uma mostra de decoração. 

Só textos curtos

Curto porque a vida é curta e os dias são longos. Curto porque se for longo ninguém lê. Curto porque é bom brincar de escrever. Curto porque sem curtição não há paixão. Curto como o caminho para a perdição. Curto como há de ser o tempo livre. Curto como um suspiro, um sussurro ou um espirro. Curto como a música do punk. Curto onde estiver Curto onde puder Curto qual? Curto o que?

Entrevista: A arte de ouvir e contar histórias

Entrevistar é uma delícia. Uma das coisas mais gostosas na profissão de jornalista é poder entrevistar.  Estou falando aqui das grandes reportagens (que não precisam ser imensas na extensão), não do feijão com arroz do dia a dia da redação - aliás miojo do dia a dia seria um termo mais preciso.  Começar um bate-papo com um estranho e aos poucos vê-lo se abrir para você é ao maravilhoso. Vê-lo contar sua experiência de vida, se emocionar com lembranças.  É um momento de confiança total, de entrega total. Daí a responsabilidade do jornalista e o respeito que deve ao entrevistado, à fonte.  O resultado da entrevista é a publicação das impressões do jornalista misturadas às informações do entrevistado. E quanto mais você se encanta pela história, melhor o resultado final.  Você publica um texto lindo e apaixonado. E seu entrevistado se vê naquelas páginas como nunca se viu. E se orgulha. E fica feliz.