Sempre que ouço falar na redução da maioridade penal no Brasil sinto um arrepio. Por outro lado, me estarrece ver tantos crimes cometidos por pessoas cada vez mais jovens, praticamente crianças. Dói perceber a falta de remorso, o brilho perdido no olhar de quem não tem nada a temer. Parece que não tiveram infância, nem inocência, nem momentos de faz-de-conta, que nunca fantasiaram nem acreditaram em fadas… Ora, para muitas crianças é exatamente isso. Têm a infância abreviada. E não falo apenas das crianças de menor renda familiar. É generalizado o problema. Ricos, pobres, classe média. Aí nasce a reflexão de que muitas crianças, desde muito cedo, passam o dia todo envoltas a atividades e responsabilidades de adultos. Creche em tempo integral. Natação, dança, inglês, etc. Até aí tudo bem. Para muitas mães (e pais) é questão vital que os filhos estejam na escola o dia todo. Mas quando falta o equilíbrio com a vida familiar, quando não há o afeto em casa, aí sim a infância é abrev...